sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O discreto charme do neoliberalismo


Texto originalmente publicado em:
Expressão Universitária, ANO II, Nº 8 set/out 1997; p6

O discreto charme do neoliberalismo

Alexandre Lobo

Nova Era, MacDonald's, Universal do Reino Deus e a liberdade de escolher o filme preferido no Intercine .Estas são as cores da pós-modernidade. O fim do Estado ante a democracia do mercado. Há tantas opções de tênis, revistas especializadas, para vários segmentos sociais, calças que já vem rasgadas da loja, e tudo sem a presença do Estado. O indivíduo é diariamente bombardeado por uma série de opções que vão desde assistir um exorcismo à uma transa segura onde os órgãos sexuais transformam-se em plástico de um teclado. O outro toma-se espetáculo, parte de um momento descontínuo, seu riso ou seu choro já não fazem diferença , desde que se possa vê-lo no noticiário barato das seis.

0 Brasil caminha a passos largos para o desenvolvimento (blá-blá-blá que escutamos desde quando ainda não éramos nascido – em desenvolvimento já é um estado crônico). Agora, todos podem entrar no maravilhoso mundo do consumo, afinal, vivemos num país sem inflação, embora o cálculo desta desconheça juros bancários. Políticos desculpam o desemprego, afinal, faz parte do progresso, além do mais, cresce o setor terciário e informal. Se temos Unimed e aposentadoria privada, engordada por nosso farto salário, para quê leis trabalhistas? A democracia é tanta que até podemos trabalhar em casa no nosso moderno micro computador. É bom não ter horário de trabalho...

Liberdade é poder escolher entre Malboro ou Free, Coca ou Pepsi, Vectra ou Corsa, Liberdade é consumo. E o melhor, é meu ego quem consome e ele está representado pelo personagem da propaganda.. Desta forma, a democracia transforma-se na opção da compra. Não importa quem possa ou não comprar, não importa os mecanismos de distribuição de renda. Não ter dinheiro é não poder escolher. Para cursar informática ou inglês, requisito para a cidadania global, é necessário dinheiro enquanto a escola pública é sucateada e ocupada por professores ou frustados ou nunca viram um livro que não fosse do Sidney Sheldon.

Assim excluímos e criamos uma massa que não é consumidora como manda a nova forma de democracia.
Graças ao mercado, possuir dinheiro é possuir os mecanismos de reproduzi-lo, investindo em equipamentos e cursos. Ou seja, mantenho meu patrimônio consumindo, consumir torna-se imperativo categórico. Marx já havia mostrado que dinheiro é fetiche, esconde relações sociais. A democracia do mercado esconde estas relações que criam massas que já não podem mais ser consideradas nem mesmo como exército de reserva. Cresce o desemprego em todo o mundo enquanto diminuem os gastos estatais com o social. O homem torna-se também um fetiche ao transforma-se em Homem-espetáculo.

Tudo é uma questão de dinheiro, de tê-lo ou não, enquanto o sistema legitima-se no neo-liberalismo. (E o que há de neo?). Nosso egoísmo é reforçado pela nossa capacidade de compra, ato individual e plenamente democrático, perpetuando a criação da miséria. Quem nasce do outro lado do muro, dos que não possuem dinheiro, não é cidadão, nem mesmo um semelhante, mas apenas um objeto para a câmera, que lhe invade a intimidade, de algum documentário para a TV. E o que importa se eu posso desligar o aparelho?

6 comentários:

  1. Pô, meu, não estou tão veio assim. Certo, o texto é do século passado...

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  2. Mas olha, no original quando escrevi sobre computador, coloquei um 786, referência ao futuro do 486; Creio que nem sabes o que era isso. um mega de memória, processador de 50hz, hd de 300 mega e bolachão de disquete.

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  3. Tu é jovem Samsa, mas tens idade pra ser meu pai, rsrs....

    Realmente sou meio leigo às novas tecnologias. Em matéria de computador, só sei navegar na web, fazer downloads e zipar arquivos.

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  4. ME lembro do Lotus 1-2-3 e ao surgir o Win3.11 foi a gloria do mouse....srs.r.s.rs.r.. texto enviado a um liberal gerente de banco... esperando o retorno....srsrsr.sr.s.rsr

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