terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Por uma politização da cotidianidade


Por Japa


O que nos leva a crer que fazer política é algo enfadonho e chato? Será que existe um profissional da política que se encontre para além das contradições de classe que definem os nossos tempos? A política é meramente um ato de apertar um botão a cada dois anos para se eleger determinado candidato que, a partir do momento de sua eleição, não teria que dar mais nenhuma satisfação aos seus eleitores? Democracia seria então um sinônimo de representatividade?

Pelo desenvolvimento histórico dessa sociedade capitalista se percebe que o direito ao sufrágio universal não foi um dado apriorístico, muito pelo contrário o direito universal ao voto foi uma luta dos trabalhadores para obter tal direito, a comuna de Paris não me deixa mentir, então o que passou durante mais de um século para que esse direito hoje em dia se transformasse em algo tão pesado, tão estranho em relação ao povo? Nos países onde o voto é facultativo a cada ano se vê uma diminuição da participação nas eleições, isso se deve a que?

Para se responder a esses questionamentos, é necessário que se questione o verdadeiro valor dessa democracia representativa burguesa, nesse tipo de democracia o fazer político se resume a votar, as políticas engendradas nesse tipo de democracia não necessariamente, mais precisamente na maioria esmagadora das vezes, funcionam em uma lógica de poder de cima para baixo, as políticas não passam pelo crivo das pessoas que elegeram determinado político, a priori essas políticas são para beneficiar todo o corpo social, mas será que a política de aumento do salário mínimo beneficia todo o corpo social ou apenas um? Será que os trabalhadores não gostariam e desejariam que ao invés de se pagar os juros da dívida pública se investisse em melhorias da saúde e da educação? Isso é algo a se esclarecer a política se tornou uma via de mão única, não existe um canal aberto para que os trabalhadores ou não decidam o que é bom ou ruim para eles.

A única democracia que conhece é a democracia direta, só possível em uma sociedade socialista, nesse tipo de democracia a política existirá um consenso entre os atores sociais para se alcançar um objetivo comum, política nesse sentido é se ouvir toda a sociedade para que tenhamos um consenso em qual caminho devemos seguir, ou seja, nós construímos nosso futuro, nós seremos senhores de nós mesmos sem ninguém a decidir sobre qual caminho trilhar, isso é democracia e não isso que os burgueses ter que acreditemos que seja, a democracia representativa, porém isso não quer dizer que se instauraria uma ditadura da maioria, a minoria seria e sempre terá de ser respeitada, lógica que dentro de certos limites, seria inadmissível se respeitar um neonazista, é disso que estou falando.

Portanto nada mais esperado do que a existência de uma espécie de esvaziamento da política, principalmente da cobrança da população em relação aos políticos, isso esconde mais uma vez uma dominação de classes, quando se afirma que o fazer político é algo a ser feito por profissionais, na realidade se pretende retirar da arena política a imensa maioria da população, e como nos ensinou o grande Karl Marx, o Estado é uma estrutura que legitima e reproduz a dominação de uma classe social sobre a outra, portanto esse discurso deixa em aberta a possibilidade do grande sonho da burguesia a de não ter nenhum tipo de freio para exercer sua dominação de classe, conclama aos companheiros e companheiros um novo fazer político, por uma politização da cotidianidade, sei que per si esse ato não terá o poder de transformar a sociedade burguesa, para isso faz necessário lutar no plano material também, porém um socialismo sem essa premissa de democracia pode ser tudo menos um socialismo verdadeira e que faça jus a grande herança de Marx e Engels.

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