sábado, 11 de fevereiro de 2012

PRIVATIZAÇÕES: O XÍS DA QUESTÃO

Os reformistas (e também alguns cidadãos que se enxergam como sendo de esquerda, mas cujo discernimento político deixa a desejar...) fizeram enorme alarde a respeito de um dossiê de denúncias eleitoreiras transformado em livro.

Agora, os direitistas contra-atacam questionando a privatização de aeroportos.

Então, vamos combinar: um seguidor de Marx ou Proudhon só pode considerar defensáveis as empresas estatais QUE SEJAM GERIDAS POR CONSELHOS DE TRABALHADORES E ESTEJAM PRIORIZANDO AS NECESSIDADES  E INTERESSES DO POVO.

As que existem, tanto dá que estejam nas mãos do estado burguês ou de capitalistas. Ao povo é que não pertencem. E o povo não tem motivo nenhum para defender um bem que não é nem jamais foi seu.

[As voltas que o mundo dá: bem no comecinho da campanha presidencial de 1989, entrevistei o Lula e lhe fiz a mesmíssima objeção acima. Ele respondeu que não pretendia deixar as estatais como estavam, mas sim colocá-las sob a direção de conselhos de funcionários. Parece que em 2002 ele já mudara de idéia. Eu não mudei.]

Vamos parar de perder tempo com essas tolices e voltar ao que realmente importa: o imperativo de substituirmos o capitalismo por um regime cujos pilares sejam a justiça social e a liberdade.

Repito pela enésima vez: O CAPITALISMO, NO ATUAL ESTADO DE PERVERSIDADE E PUTREFAÇÃO, NÃO PODE SER REDIMIDO NEM TER SUA MALIGNIDADE ATENUADA

Ou nos livramos dele, ou ele nos destruirá a todos, dando fim à espécie humana.

Precisa de coveiros que o enterrem de uma vez por todas, não de enfermeiros que lhe apliquem esparadrapos.

Um comentário:

  1. Não, não é "simples assim". Ao menos no discurso, é fácil adotar uma retórica "extremista", de "ou tudo ou nada". Com argumentos destes, é possível dizer algo do tipo: sob governo democrático eleito ou ditadura fascista, o Estado é burguês e por isso um "seguidor de Marx e Proudhon" não vê diferença entre um ou outro. Ou mesmo em relação a lutas salariais: ganhando mais ou menos, não temos um regime de conselhos operários, logo, pra que lutar por melhores salários e condições de trabalho?

    Vladimir Lênin possui umas excelentes linhas sobre esse tipo de raciocínio em "Esquerdismo, a doença infantil do comunismo".

    É dever da esquerda lutar contra a privataria, sempre feita às custas dos cofres públicos, dos trabalhadores das estatais e dos consumidores. E para isso é necessário precaver-se tanto do "oportunismo" quanto do "extremismo" retórico e vazio.

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