quinta-feira, 1 de março de 2012


Um texto antigo com algumas atualizações:

Marx morreu?
Alexandre Lobo*
Depois do Muro de Berlim e da desintegração do Leste Europeu, é “status” intelectual pronunciar com meio sorriso norosto, ainda que com dentes levemente amarelados, que Marx morreu.
Realmente, ele morreu e ninguém, sensato ou não, com algum neurônio e com noção de tempo poderia dizer ao contrário, Marx “partiu pra outra” em 1883 e não poderá defender-se das críticas.
Devemos perguntar o porque de tanta ênfase no luto do marxismo. Sejamos honestos, quem realmente leu de cabo a rabo as 3 mil páginas do Capital, a Ideologia Alemã, os manuscritos Econômicos Filosóficos, no mínimo? Não que se deva desligar o aparelho de tevê na hora do Faustão, esquecer as batatinhas e sair correndo a esquina democrática fundar o Fã Clube
Marx-Disney, afinal, nem mesmo Marx era Marxista. É fácil negar o que não se conhece, justamente porque evita-se entrar em complexidades.
Há questões básicas que na euforia utópica da esquerda geral foram esquecidas. Uma delas é que Marx não era um acadêmico, não daqueles que, em seu escritório, liga o Pentium Trial Core 10, põe o mp9 e interage com o social por meio de duas ou três teclas em nome da objetividade e neutralidade científica. Ele não prestava contas nem tinha como alvo central uma bolsa do CNPq, mas trabalhadores operários, o destino de suas obras não foram empoeiradas teses em uma biblioteca universitária. Assim, em algumas de suas obras, como o Manifesto, por vezes única leitura de “marquexistas”, há características de panfleto. Todo o
panfleto, mesmo os raros inteligentes como o Manifesto, tem como objetivo principal o convencimento de uma posição política e não a fundamentação teórica de uma proposição. Não quero dizer com isto que Marx carece de validade científica, ao contrário seu método, o materialismo dialético o diferenciava qualitativamente dos seus contemporâneos socialistas utópicos e anarquistas.
Trata-se de construir o conhecimento desalienado por meio da praxis, de uma teoria que se constrói dinamicamente ao se confrontar com a realidade exterior ao pensamento. 
Alguns pensadores do midcult (cultura média, massificada, tentativa de algo entre o erudito e o popular, ou seja, medíocre) adoram aparecer na tevê ou em revistas informativas, talvez para impressionar a mãe ou a Xuxa, dizendo que o marxismo e a esquerda acabaram com o Leste Europeu, como se a teoria de Marx fosse a previsão da URSS e do nascimento de Stálin.
Marx nunca quis competir com Nostradamus e não creio que jogasse Tarô. Bem, em seus panfletos e textos, o que ele colocou é que ou o mundo virava socialista ou o caos. A revolução teria que ser operária e a Rússia ainda tinha traços feudais.
E se nós pensarmos o Caos como algo parecido com o filme “Laranja Mecânica” ou os livros de Huxley e Orwel? E o que o mundo capitalista trouxe ao ser humano? Sem querer falar na já badalada fome do Terceiro ou Quarto Mundo, é bom lembrar a opinião televisiva ante à pública. A informação eletrônica visual antes de ser tátil. O fim do autêntico ante o pensar industrial dos DVD-ROM. A violência urbana e o desemprego das grandes capitais e megalópolis. A facilidade de matar sem efeitos colaterais dos enlatados norte americanos e japoneses ou nos joguinhos de videogame. A necessidade compulsiva de sexo e o amor consumo. Necessidades de não estar em nenhum lugar a não ser em um nariz com coca ou em um copo de vinho barato. Essa é a felicidade do capitalismo desenvolvido expressa nas altas taxas de suicídio no Japão e Alemanha. Ainda bem que a ciência nos deu remédios para alma como Eufor ou Prozac.
A psiquiatria e a psicologia serão o ópio do futuro. E o que diria Marx disso tudo?

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