terça-feira, 24 de setembro de 2013

FOI DAS MAIS COVARDES A AGRESSÃO AO FRANZINO SENADOR DO PSOL

O franzino Randolfe jamais seria um Davi à altura...
O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) foi de covardia extrema ao agredir com um soco na barriga o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), visivelmente sem porte físico para encará-lo de igual para igual. Bater em homens mais fracos, mulheres, crianças ou idosos é animalesco. É indigno. É desonroso. É repulsivo. Ponto final.

Um grande amigo espanhol me contou que, ao chegar no Brasil em meados do século passado, ficou estarrecido com as brigas de rua em que vários espancavam um só. 

Na sua terra ficariam malvistos se agissem assim. Fossem quantos fossem, iam um de cada vez confrontar o desafeto. Os demais assistiam sem interferir.

Mas, tais posturas altaneiras são características de homens de verdade. Não dos Bolsonaros da vida.
...deste bestial Golias.

Só não sei o que integrantes da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro, parlamentares e representantes do Ministério Público foram fazer no 1º Batalhão de Polícia do Exército, em que funcionava o DOI-Codi/RJ. Foi quando Bolsonaro, que não fazia parte do grupo, tentou impor sua presença na base da porrada.

A alegada verificação in loco da viabilidade da montagem de uma espécie de museu da ditadura no local não convence. 

Isto faria sentido numa instalação desativada e com entrada independente, como o antigo Deops de São Paulo, transformado em Memorial da Resistência. Não no interior do que continua sendo um quartel e precisa manter normas elementares de segurança.

O trabalho das comissões da verdade está definido no próprio nome: resgatar e disponibilizar a verdade. Fazer provocações pueris está fora do seu foco.

É inaceitável que continuem sendo engolidas as explicações evasivas e desculpas esfarrapadas dos militares com relação, p. ex., aos guerrilheiros do Araguaia que eles executaram a sangue-frio e em cujos restos mortais deram sumiço. Aí sim seria necessária mais firmeza, principalmente por parte da Comissão Nacional da Verdade --que tem reais poderes para comprar tal briga, deles fazendo uso pífio.

Mas, que contribuição real traz às investigações uma visita à famigerada ala nos fundos do quartel da Tijuca (as dependências do Pelotão de Investigações Criminais, que também usava muita violência para apurar as transgressões e delitos cometidos por integrantes do Exército, foram cedidas durante alguns anos ao DOI-Codi, para o encarceramento e torturas de presos políticos)? Há algo relevante a ser buscado ali, quatro décadas depois? Evidentemente, não.

Foi onde sofri as piores sevícias e quase enfartei com a idade de 19 anos. Mas, nem de longe o ocorrido nesta 2ª feira (23) me serve como desagravo. Continuo, isto sim, esperando que as comissões acrescentem algo de novo ao que já sei sobre o martírio de companheiros queridos. 

E que as famílias de alguns deles recebam, afinal, suas ossadas para sepultarem.

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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

QUANDO O SR. OPUS DEI DEFENDE O ZÉ DIRCEU, ATÉ O SANTO DESCONFIA...

Quando um inimigo figadal deita falação que de alguma forma favorece as nossas causas, como devemos proceder? Espalhando aos quatro ventos para colhermos benefícios imediatos, como fazem os propagandistas em geral? 

Não. Mais sensato é refletirmos profundamente, tentando decifrar o porquê desse seu posicionamento inusitado. E, em seguida, pesarmos os prós e contra de levantarmos a bola do personagem em questão.

É o que os defensores virtuais do Zé Dirceu não fizeram no caso da entrevista de Ives Gandra Martins ao jornal da ditabranda (vide aqui).

Quem é Gandra? 

Nada menos do que o principal expoente do Opus Dei no Brasil. Como tal, participou inclusive da campanha presidencial de Geraldo Alckmin, membro dessa sociedade ultra-arqui-super-mega-reacionária de fundamentalistas católicos (que se tornou influente, em primeiro lugar, na Espanha, onde praticamente se fundiu ao governo do ditador Francisco Franco). 

Por que Gandra aparece tanto na mídia opinando sobre grandes temas nacionais e posando de eminente jurista? Única e tão somente devido à enorme influência do Opus Dei na grande imprensa. Pois, na verdade, ele não passa de um advogado tributarista. Sua expertise é na área de ensinar os ricaços a tourearem o Fisco e socorrê-los quando acusados de sonegação. 

Para não gastar muita vela com mau defunto, recorro às sólidas avaliações do Altamiro Borges, presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, que qualificou Gandra de "uma  personalidade  ligada à ditadura, ao latifúndio e aos setores mais reacionários", defensor de "tudo o que é há de mais retrógrado e conservador na sociedade brasileira". Nada a acrescentar.

Então, o que levaria tal personagem a alinhar-se com Zé Dirceu?

Como identificação política não há, a hipótese mais plausível está neste trecho da entrevista:
"Você tem pessoas que trabalham com você. Uma delas comete um crime e o atribui a você. E você não sabe de nada. Não há nenhuma prova senão o depoimento dela --e basta um só depoimento. Como você é a chefe dela, pela teoria do domínio do fato, está condenada, você deveria saber. Todos os executivos brasileiros correm agora esse risco".
Ou seja, o interesse do Gandra no assunto seria apenas profissional: ele teme que "todos os executivos brasileiros" comecem a ser condenados pelos delitos econômicos que atiram nas costas de seus subalternos quando a m... fede, fingindo nada saberem, como perfeitos anjinhos que são... 

Na condição de um dos principais patronos de tais executivos, que recebe régios honorários para livrá-los de multas e da prisão, faz sentido Gandra querer detonar a  teoria do domínio do fato  a qualquer preço, nem que seja preciso somar forças com um antípoda ideológico.

Como fez todo sentido ele recentemente esbravejar contra a derrubada da proposta de emenda constitucional  que enfraqueceria a investigação dos crimes do colarinho branco.

Tudo isto ponderado, vale a pena darmos quilometragem ao blablablá do Gandra neste assunto, sabendo que no próximo artigo ou entrevista ele estará provavelmente lançando outra de suas diatribes coléricas contra valores e posições de esquerda?

Não. Mil vezes não!

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segunda-feira, 9 de setembro de 2013

IMPRENSA x DITADURA: "FOLHA" ADMITIU PECADOS MAIS GRAVES AINDA

Já que O Globo reconhece ter apoiado o golpe de 1964, vale lembrar que o Grupo Folha também 
fez sua  mea culpa  em fevereiro de 2011, 
quando comemorava o 90º aniversário.

Usou, contudo, o artifício de esconder tal admissão no meio de um quilométrico texto louvaminhas. Eu 
e todo mundo teríamos passado batidos, se a ombudsman não houvesse levantado a 
lebre em sua coluna dominical.

Alertado, fui atrás e encontrei a matéria em questão. Eis os trechos principais do artigo que escrevi em 27/02/2011: 

Assim a FT noticiou a morte do 'Bacuri',
bestialmente torturado durante 108 dias.

Suzana Singer, a ombudsman da Folha de S. Paulo, repreende o jornal por ter transformado a comemoração dos seus 90 anos de existência numa festa imodesta

Eu usaria outro adjetivo para qualificar a imagem maquilada que Calibâ produziu de si mesmo para fins de efeméride, mas ombudsman que não doura a pílula deixa de ter seu mandato renovado pelo herdeirinho que manda e desmanda...

Sobre o caderno comemorativo, Singer diz algo interessante:
"É verdade que o especial de 90 anos da Folha teve (...) a coragem de explicar o apoio do jornal ao golpe militar e o alinhamento da Folha da Tarde à repressão contra a luta armada. Trouxe também críticas duras feitas pelos ex-ombudsmans. Mas foram apenas notas dissonantes [grifo meu]".
Sim, no meio da overdose de auê, passou despercebido o texto 90 anos em 9 atos, de Oscar Pilagallo, cuja principal função foi a de servir como uma espécie de álibi para quando alguém acusasse o jornal de não ter autocrítica.

Enfim, vale a pena conhecermos o que a Folha finalmente admite sobre seu passado -- embora, claro, não tenha admitido  tudo, mas, tão somente, o que já havia sido inequivocamente estabelecido por seus críticos e não compensava continuar negando.

E, claro, devemos discutir -- e muito! -- a chocante revelação de que o Grupo Folha entregou um de seus jornais a porta-vozes de torturadores como alegada retaliação a um agrupamento de esquerda que teria se infiltrado na Redação.
Mancheteando a Marcha da
Família
 às vésperas do golpe
 
"Folha apoiou o golpe militar de 1964, como praticamente toda a grande imprensa brasileira. Não participou da conspiração contra o presidente João Goulart, como fez o 'Estado', mas apoiou editorialmente a ditadura, limitando-se a veicular críticas raras e pontuais. 
...O jornal submeteu-se à censura, acatando as proibições, ao contrário do que fizeram o 'Estado', a revista 'Veja' e o carioca 'Jornal do Brasil', que não aceitaram a imposição e enfrentaram a censura prévia, denunciando com artifícios editoriais a ação dos censores.
...A partir de 1969, a 'Folha da Tarde' alinhou-se ao esquema de repressão à luta armada, publicando manchetes que exaltavam as operações militares.
A entrega da Redação da 'Folha da Tarde' a jornalistas entusiasmados com a linha dura militar (vários deles eram policiais) foi uma reação da empresa à atuação clandestina, na Redação, de militantes da ALN (Ação Libertadora Nacional), de Carlos Marighella...

Em 1971, a ALN incendiou três veículos do jornal e ameaçou assassinar seus proprietários. Os atentados seriam uma reação ao apoio da 'Folha da Tarde' à repressão contra a luta armada.

Segundo relato depois divulgado por militantes presos na época, caminhonetes de entrega do jornal teriam sido usados por agentes da repressão, para acompanhar sob disfarce a movimentação de guerrilheiros. A direção da Folha sempre negou ter conhecimento do uso de seus carros para tais fins".
Vale destacarmos, ainda, o reconhecimento de que foi por sugestão da própria ditadura que a Folha de S. Paulo, em meados dos anos 70, passou a posicionar-se com mais independência em relação à ditadura! Seria cômico, se não fosse trágico...  
Diaféria escreveu: "O povo urina nos heróis de pedestal"
"No início de 1974, Octavio Frias de Oliveira, publisher da Folha, foi procurado por Golbery do Couto e Silva, futuro chefe da Casa Civil do governo de Ernesto Geisel, prestes a tomar posse.
...Golbery deixou claro que ao futuro governo não interessava ter um único jornal forte em São Paulo [ou seja, o novo governo favoreceria quem disputasse leitores com O Estado de S. Paulo]. 
...uma ampla reforma editorial foi concebida e executada (...) por [Cláudio] Abramo, que trabalhava na Folha desde 1965. As páginas 2 e 3 se tornaram espaços de opinião crítica. Passaram a fazer parte da equipe editorial colunistas renomados, como Paulo Francis e, mais tarde, Janio de Freitas. 
A trajetória teve um desvio em 1977, quando, por pressão da linha dura do governo, Abramo foi afastado de seu cargo... ".
Desvio? Foi, isto sim, um fim de linha. A  primavera da Folha  acabou no exato instante em que o jornal se vergou ao ultimato militar, quando do episódio  Lourenço Diaféria x estátua do Caxias (leia a crônica que tanto irritou os militares aqui), afastando Cláudio Abramo da direção de redação e o despachando para Londres, demitindo vários colaboradores e impondo evidentes restrições aos que ficaram.

Durante cerca de três anos, a Folha teve a cara do Abramo. A partir de 1977, passou a ter a carranca do Boris Casoy. E, depois, a do Otávio Frias Filho.

sábado, 7 de setembro de 2013

BOM FERIADO DA TROCA DE DEPENDÊNCIA PARA TODOS!

A chance perdida de uma ruptura altaneira
Hoje é o feriado da troca de dependência. 

Temos motivos para comemorar o fim da dominação imposta e o começo da dominação consentida? 

A substituição do chicote português pela perfídia inglesa? 

O desperdício de mais uma das muitas oportunidades que tivemos de uma verdadeira afirmação nacional? 

Temos D. Pedro I como "libertador" (as aspas são obrigatórias). Nossos  hermanos  têm Bolivar como LIBERTADOR. Pobres de nós!

"Dez vidas eu tivesse..."
Depois de 1822, continuamos fazendo a opção errada nos momentos decisivos. Até hoje.

Sempre deixando que as elites mantivessem as mudanças sob rígido controle, para que nada realmente mudasse.

Sempre voltando as costas ou não reconhecendo suficientemente os poucos heróis de verdade que produzimos. 

Como Tiradentes. O Dia da Pátria deveria ser o 21 de abril, não o 7 de setembro. E é ao heroico inconfidente que deveriam ser direcionadas todas as homenagens, toda a gratidão do povo brasileiro.

Como Lamarca e Marighella, estes sim  os filhos seus que não fugiram à luta, martirizando-se no bom combate. Aos três eu ergo meu brinde.

Não ao príncipe português. Jamais ao príncipe português!